VIDA|MORTE
É que, quando você morreu
eu acabei morrendo também.
Aos poucos: ouvindo a notícia pelo telefone
quando meus olhos cruzaram com os da sua mãe;
ajeitando o lençol que cobria teu corpo sem vida na pedra gelada do necrotério;
lendo teu nome, tua data de nascimento e aquele vinte e cinco de dezembro
escritos num esparadrapo colado sobre o lençol que cobria teu corpo sem vida.
E morri mais um pouco ao me dar conta dos dias seguintes:
do "bom dia, baby" que eu não iria mais receber;
das promessas que eu não poderia cumprir;
das conversas de madrugada que não tinham mais como existir.
E continuei morrendo, aqui ou ali
num choro, num vídeo, num áudio, enfim...
continuei morrendo porque... eis o fato:
eu seguia (sobre)vivendo.
Não há ser vivo que escape:
vida e morte andam juntas todo momento
entrelaçadas, existindo ao mesmo tempo.
Enquanto vivemos, morremos.
Era uma vez um sonho bonito
que, como raras vezes, a realidade viu existir
pra descobrir que pra sempre é tempo finito.
E foi assim que eu poeta me vi partir.
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